terça-feira, 20 de maio de 2025

Impacto da COVID-19 no registro de casos de leishmaniose tegumentar no Maranhão, Brasil.

    Em meio à pandemia de COVID-19, enquanto todos os olhares se voltavam para o coronavírus, outras doenças silenciosamente perderam espaço nos sistemas de vigilância — inclusive aquelas que nunca deixaram de afetar populações vulneráveis, como a leishmaniose tegumentar.

    Um estudo recente analisou os registros de casos dessa doença no Maranhão entre 2015 e 2020 e revelou um dado alarmante: em 2020, houve uma queda de quase 14% no número de casos notificados em relação ao esperado. Isso significa que centenas de pessoas podem ter adoecido sem diagnóstico ou tratamento adequado.

    As regionais de São Luís, São João dos Patos e Presidente Dutra lideraram essa redução, acendendo um alerta importante: estamos vendo um efeito colateral da pandemia que vai muito além da COVID-19.

    Como a COVID-19 impactou os serviços de vigilância epidemiológica?

    O que essa subnotificação revela sobre a capacidade de resposta do sistema de saúde?

    Quais estratégias precisam ser adotadas para que doenças negligenciadas não continuem à margem das políticas públicas?

    Essas e outras reflexões são discutidas neste estudo essencial para quem atua com saúde pública, gestão em saúde ou vigilância de doenças transmissíveis.

    Para mais informações acesse: https://doi.org/10.17058/reci.v13i3.18352



quarta-feira, 14 de maio de 2025

Acompanhantes e Visitantes em Ambientes Hospitalares: Uma Lacuna na Prevenção de Infecções?

    Quando pensamos em medidas de prevenção de infecções em hospitais, o foco recai quase sempre sobre os profissionais de saúde. Mas e os acompanhantes e visitantes será que sabemos realmente como orientá-los e protegê-los dentro desse ambiente de alto risco?

    Um estudo realizado com quase 90 prevencionistas de infecção expõe uma realidade preocupante: não há uniformidade nas recomendações para acompanhantes e visitantes de pacientes hospitalizados sob precauções específicas. As falhas mais comuns? Permanecer nos quartos sem a devida paramentação, circular por outros quartos e manter portas abertas mesmo em precauções por aerossóis.

    Embora a higienização das mãos seja amplamente recomendada, as ações educativas ainda são majoritariamente verbais e pontuais pouco eficazes diante de um público que muitas vezes desconhece os riscos envolvidos. Além disso, mais da metade dos especialistas entrevistados apontaram a ausência de políticas institucionais claras como a principal barreira para a adoção de práticas seguras.

    Este artigo revela uma importante lacuna nas estratégias de prevenção de infecções: a negligência em relação ao papel de acompanhantes e visitantes como possíveis vetores de transmissão. Para gestores e profissionais da área, os dados evidenciam a urgência de criar e implementar diretrizes específicas e efetivas voltadas a esse grupo.

    Para mais informações acesse: https://doi.org/10.17058/reci.v13i3.18348




terça-feira, 13 de maio de 2025

Clones de Alto Risco à Espreita na UTI: O Que Está Colonizando Nossos Pacientes?

    Você sabia que, mesmo sem causar infecção imediata, algumas bactérias podem colonizar silenciosamente pacientes internados em UTIs e se tornar uma bomba-relógio dentro dos hospitais?

    Um estudo realizado em Natal, no Nordeste do Brasil, lançou luz sobre um desses vilões: Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL (β-lactamase de espectro estendido). Os pesquisadores analisaram swabs de vigilância de 24 pacientes em uma UTI e descobriram algo alarmante — 75% estavam colonizados por essa bactéria resistente, com produção de ESBL detectada em 85% dos isolados.

    Além disso, foi constatada alta resistência a diversos antibióticos amplamente utilizados, como ciprofloxacina e sulfa-trimetoprima. O estudo identificou também genes de resistência amplamente distribuídos e, ainda mais preocupante, sete sequence types considerados de alto risco epidemiológico. Esses clones têm potencial para causar surtos hospitalares difíceis de conter.

    Mais do que um alerta, essa pesquisa reforça a necessidade urgente de vigilância genômica contínua nas UTIs brasileiras — antes que a colonização vire infecção, e a prevenção se torne contenção de danos.

    Para mais informações acesse: https://doi.org/10.17058/reci.v13i3.18307




segunda-feira, 12 de maio de 2025

Quais ferramentas os profissionais usam para prevenir infecções nos hospitais?

    No estado do Rio de Janeiro, um estudo recente foi em busca dessa resposta e os resultados podem te surpreender. Controladores de infecção de diversas instituições relataram, por meio de uma pesquisa inédita, quais recursos e equipamentos realmente estão disponíveis no dia a dia hospitalar para prevenir as chamadas Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).

    A pesquisa revela que, embora a tecnologia esteja cada vez mais presente na saúde, sua distribuição ainda é desigual. O recurso mais disponível? A biologia molecular, utilizada por cerca de 68% dos participantes. Mas menos de um terço relatou ter acesso a aplicativos voltados à prevenção e controle de infecções. E o dado mais preocupante: quase 18% dos profissionais disseram não contar com nenhum dos nove recursos avaliados.

    A análise ainda explorou as diferenças entre hospitais públicos e privados, e investigou se atividades de ensino dentro das instituições influenciam a disponibilidade desses recursos — com resultados que desafiam algumas expectativas.

    Para mais informações acesse: https://doi.org/10.17058/reci.v13i3.18255






quarta-feira, 7 de maio de 2025

Entre o Cuidado e o Risco: Falhas Estruturais e a Realidade de uma UTI no Brasil.

    Em um ambiente onde cada segundo conta e cada procedimento pode salvar uma vida, falhas na infraestrutura podem ter um impacto silencioso, mas devastador. Esse é o alerta trazido por um estudo recente realizado em uma Unidade de Terapia Intensiva destinada a pacientes com COVID-19 em um hospital universitário do estado do Mato Grosso.

    A pesquisa teve como foco dois pontos cruciais: a estrutura disponível para a higienização das mãos dos profissionais de saúde e a percepção desses profissionais sobre as atitudes de segurança da instituição. Os resultados acendem um sinal de alerta para gestores e responsáveis pela saúde pública.

    Dos 62 profissionais entrevistados, foi possível identificar falhas relevantes na estrutura física da unidade, especialmente no que diz respeito à disponibilidade de preparações alcoólicas no ponto de cuidado — um recurso essencial para o controle de infecções hospitalares. Além disso, a percepção dos profissionais quanto ao envolvimento da gestão em ações de segurança do paciente foi negativa em todos os domínios avaliados.

    Essas descobertas indicam não apenas a urgência de melhorias estruturais, mas também a necessidade de um compromisso mais efetivo por parte da liderança institucional com as práticas seguras de cuidado.

    Este estudo é um convite à reflexão: como podemos garantir segurança em ambientes de alta complexidade sem a infraestrutura mínima e sem o engajamento da gestão? E, mais importante, quais consequências essa negligência pode ter para pacientes e equipes?

    Para mais informações acesse: https://doi.org/10.17058/reci.v13i3.17956




terça-feira, 6 de maio de 2025

SRAG no Sul do Brasil: O Que Mudou Entre 2020 e 2021?

    Nos dois primeiros anos da pandemia de COVID-19, o Brasil enfrentou um aumento expressivo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Mas como essa realidade evoluiu ao longo do tempo? Um estudo realizado em uma região de saúde do interior do Rio Grande do Sul lança luz sobre importantes mudanças no perfil clínico e sociodemográfico dos indivíduos acometidos pela SRAG entre 2020 e 2021.

    A pesquisa analisou 4.710 casos notificados no período de março de 2020 a outubro de 2021, comparando variáveis como idade, cor da pele, escolaridade, presença de comorbidades, sinais e sintomas, além de dados sobre hospitalizações e internações em UTIs.

    Os resultados mostram que, em 2020, 53,4% dos casos de SRAG estavam relacionados à COVID-19. Já em 2021, esse número saltou para 87,5%, refletindo o avanço da pandemia e a predominância de variantes mais transmissíveis do vírus. Além disso, observou-se uma mudança no perfil sociodemográfico dos pacientes: houve variações significativas na faixa etária, na cor da pele e no nível de escolaridade.

    No campo clínico, também ocorreram transformações. A maioria das comorbidades pré-existentes apresentou queda, com exceção da obesidade, que permaneceu relevante. Os sintomas relatados pelos pacientes mudaram, e houve uma redução tanto nas internações hospitalares quanto nas admissões em Unidades de Terapia Intensiva.

    Essas alterações podem estar diretamente associadas à introdução da vacinação contra a COVID-19, ao surgimento de novas variantes e às mudanças na organização dos serviços de saúde. O estudo contribui para compreendermos melhor a dinâmica da pandemia e a resposta dos sistemas locais de saúde.

    Para mais informações acesse: https://doi.org/10.17058/reci.v13i3.17903



segunda-feira, 5 de maio de 2025

Tuberculose na Amazônia: O Desafio Invisível nos Caminhos do Diagnóstico.

    Em pleno século XXI, enquanto debatemos tecnologias de ponta na medicina, uma doença antiga continua silenciosamente a afligir comunidades inteiras. Nas terras densas e remotas da Amazônia Ocidental, a tuberculose persiste como um desafio de saúde pública que revela muito mais sobre nosso sistema de saúde do que gostaríamos de admitir.

    Um estudo recente realizado em Porto Velho lança luz sobre uma questão fundamental: o acesso ao diagnóstico da tuberculose. E o que os profissionais de saúde têm a dizer sobre isso é, no mínimo, inquietante.

    Em uma pesquisa envolvendo 266 profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), descobriu-se que o acesso ao diagnóstico da tuberculose foi classificado apenas como "regular" - um eufemismo preocupante quando falamos de uma doença que mata 4.500 brasileiros por ano.

    O estudo revela obstáculos surpreendentemente básicos: dificuldade em obter informações por telefone, necessidade de transporte motorizado para chegar às unidades de saúde, custos com transporte público e até mesmo a perda de turnos de trabalho para conseguir uma consulta.

    Pense nisso: em uma região onde a tuberculose continua sendo uma ameaça real, os pacientes precisam escolher entre um dia de salário e a busca por diagnóstico. Este não é apenas um problema médico, mas uma questão profunda de equidade social.

    Ao contrário de muitas pesquisas que abordam a tuberculose do ponto de vista epidemiológico, este estudo mergulha na experiência humana por trás dos números. Utilizando o questionário Primary Care Assessment Tool (adaptado para a atenção à tuberculose e validado para o Brasil), os pesquisadores conseguem capturar a realidade cotidiana enfrentada pelos profissionais de saúde.

    Para mais informações acesse: https://doi.org/10.17058/reci.v13i2.18114






O Preço Oculto da Resistência Bacteriana: Como as Superbactérias Estão Multiplicando os Custos Hospitalares em Até Cinco Vezes

     Quando uma criança é hospitalizada, os pais raramente imaginam que o maior inimigo pode não ser a doença original, mas sim microrganism...